sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Saber

Saber que apenas trazes a alegria
em ti (devolvida, imaculada)
porque trazes ferido o coração
desde o início. Saber o fado -
nem duro, nem leve - somente o fado
das noites de calor tempestuoso.
Saber que este vapor que se eleva
do teu corpo é incandescente sopro
do querer saciado: queima o céu
e não há pele que lamente o frio.
Saber que não existe altar de amor
que não tenha como bruto artesão
o gozo passado ou o prometido.
Saber que se a manhã seguinte vem
chuvosa é preciso saber andar
entre ruínas. Saber que o coração
não é virgem e não é intocado
igual um jardim de inverno. Saber
beijar a lágrima como beijaste
o gozo. Saber que apenas celebras
a imorredoura alegria do agora
porque apenas sabes celebrar - do início
até ao fim - um coração ferido.

1 comentários:

  1. Daniel: posso vir a publicar este teu poema no meu blogue?
    Aproveito para te desejar um Natal tranquilo.

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