sábado, 8 de janeiro de 2011

Poema

Uma cidade santa é
uma cidade perdida.
O judeu chorou Sião
por estar na Babilônia
e por manar as lágrimas
que a areia frutificavam.


Quanto a mim, sou o arroio
que ao nascedouro retorna –
o que a água devolve é
o que foi adulterado.
As horas são como seixos
roídos até a nudez.


Aqui, os dias são como
antes: céu esvaziado.
No entanto, sob o vazio,
as crianças nascem, brincam
e os olhos do minotauro
não lhes parece perverso.


Aqui, a imagem do dia
é lavada até ser
como a estátua que todos
olham sem saber quem é:
eis o grandioso Apolo,
eis a sua fronte enegrecida.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Daniel:posso, um dia destes, colocar no
    meu blogue ou enviar para um grupo de amigos da poesia?Claro que continuo a gostar do que escreves...

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